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Encontros de Poesia de São Rafael - Edição nº 0


Sábado 17 de Setembro, 21:30.
Que noite linda! Em Bela companhia.
Jardim, piscina, iluminados por uma luz difusa, acompanhada por pequenos apontamentos de velas, cadeiras de realizador. Palco na água, ao centro da piscina. Cenário ideal para o que se passou de seguida.
A CS Hóteis - São Rafael Suite Hotel em conjunto com a Livrarias Bertrand, CS de Carlos Saraiva, que eu tenho o prazer de saudar pelo apoio a este encontro nº0, que se pretenda que tenha seguimento (eu pelo menos, espero que sim!), mostrou-nos o trabalho de poesia destes autores, 50 anos de poesia como mote para a noite (Pedro Tamen editou o 1º em 1949 e Pedro Mexia em 1999), contou com a presença dos poetas que abaixo refiro com poemas de sua autoria.
Foi uma noite fantástica, com leitura de poemas pelos autores, alguns inéditos e lindos, como o "Novo Ovo" de Nuno Júdice, a ser editado brevemente. Surpresa agradável foi o poeta espanhol Jesús Munárriz, com textos de despertar a curiosidade a qualquer um.

Força te Digo - Pedro Tamen
Força te digo, a mim: sustenta o norte, ataca o centro
e espera
que a moura chame,
que a lua cresça,
que a tarde atarde as mãos coadas
e o mundo seja areia
onde se afoite a luz e nada se corrompa.

Auto-retrato com a musa - Vasco Graça Moura
(...)quem amo o que é que pode
fazer deste retrato?
nem sabê-lo de cor,
nem tê-lo encaixilhado,
nem guardá-lo num livro,

nem rasgá-lo ou queimá-lo,
mas pode pôr-se ao lado
e ter prazer ou pena
por nos achar parecidos
ou não achar. quem amo (...)

Encantamento - Nuno Júdice
Vi as mulheres
azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo
que traziam de uma infância de magma
calcinado. A água ficava negra, à sua volta;
e os ramos das plantas submersas pelas chuvas
primaveris abraçavam-nas, puxando-as num
estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor
do verso; estendi-as na areia grossa
da margem, vendo as cobras de água fugirem
por entre os canaviais. Espreitei-lhes
o sexo por onde escorria o líquido branco
de um início. Pude dizer-lhes que as amava,
abraçando-as, como se estivessem vivas; e
ouvi um restolhar de crianças por entre
os arbustos, repetindo-me as frases com uma
entoação de riso. Onde estão essas mulheres?
Em que leito de rio dormem os seus corpos,
que os meus dedos procuram num gesto
vago de inquietação? Navego contra a corrente;
procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.

Maria do Rosário Pedreira
Não partas já. Fica até onde a noite se dobra
para o lado da cama e o silêncio recorta
as margens do tempo. É aí que os livros
começam devagar e as cores nos cegam
e as mãos fazem de norte na viagem. Parte apenas
quando amanhã se ferir nos espelhos do quarto
em estilhaços de luz; e um feixe de poeiras
rasgar as janelas como uma ave desabrida.
Alguém murmurará então o teu nome, vagamente,
como a gastar os dedos na derradeira página.
E então, sim, parte, para que outra história se
invente mais tarde, quando os pássaros gritarem
à primeira lua e os gatos se deitarem sobre
o muro, de olhos acesos, fingindo que perguntam.

Pedro Mexia (poema inédito) - Roubado daqui
Os judeus deixam sempre
um lugar a mais na mesa,
à espera. Os judeus perdera
mas razões para esperar e esperam.

Os judeus sabem que há
um sentido não-escrito
das palavras. Os judeus não dizem
directamente o nome santo.

Os judeu rasgam as veste
se tapam os espelhos. Os judeus
nunca deixam de ser judeus.
Ainda mereceremos ser judeus.

Primero de Abril - Jesus Munárriz
A las que nacieron este día
les pusieron Victoria, generalmente,
o también Paz.
A algunas Petronila o María
a secas "como su abuela" -decían, disimulando-.
Y a los chicos, no sé, supongo que Francisco
y José Antonio.
Pero uno que nació pasados ya los montes,
en tierra de otras gentes, extranjera,
fue inscrito en el Registro Civil al día siguiente,
voluntariamente olvidado aquél
en que naciera.

PS: E ainda encontrei os amigos Clitie e Luís Ene, daqui lhes envio um "saravá umbada".
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